Quando ainda nos anos 70 começaram as primeiras negociações entre sindicatos e empresas, os sindicalistas brasileiros não sabiam muito bem como era o processo. Uma das providências foi conhecer como se portavam os companheiros de montadora na Alemanha para ganhar experiência. Quem conta esse episódio é professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e colunista de MELHOR, que dirigiu o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) de 1966 até 1990, nos anos de amadurecimento do sindicalismo brasileiro. "Para nossa surpresa, quando chegamos lá, os alemães estavam negociando casas mais baratas, porque muitos funcionários estavam indo embora por não conseguirem adquirir um imóvel na região".
O caso foi relatado durante a palestra Ações concretas para um novo contrato social, com a participação do deputado federal Vicente da Silva Paula (Vicentinho), Fernando Tadeu Perez, da FPerez consultoria e Walter Barelli. Perez, que tem no currículo 15 anos de RH em montadoras, falou da necessidade de se aprender a negociar. "Há corporativismos de todos os lados - governo, sindicatos e empresariado -, ninguém quer ceder e isso dificulta obter avanços", disse. Para ele, é uma grande frustração que, até o momento, o país, governado por um ex-sindicalista, ainda não tenha conseguido realizar uma reforma trabalhista.
Na visão de Barelli, as relações trabalhistas devem ser orientadas por um conceito de trabalho decente, porque ainda existem milhares de casos de trabalho infantil, escravo e sem condições adequadas de segurança. "Em um novo contrato social precisamos ampliar a pauta para abordar o bem estar do trabalhador em vários aspectos, como por exemplo, melhor transporte público para encurtar o tempo de trajeto entra sua casa e o trabalho", enfatizou.
O deputado Vicentinho falou da importância de se realizar acordos onde todos ganhem e da importância das empresas aderirem às 40 horas semanais, projeto de sua autoria em trâmite no Congresso Nacional. "Muitas empresas já praticam essa jornada, mas não falam a respeito porque outras do segmento, mais conservadoras, podem criar conflitos nas associações patronais".
Vicentinho disse, ainda, que muito em breve haverá grandes modificações na legislação trabalhista, mas não adiantou mais informações. "Não é possível que em 2008, tenham sido contratados 16 milhões de trabalhadores e demitidos 15 milhões. As empresas têm terceirizado até a alma e esse é dos motivos da alta rotatividade na contratação", conclui o deputado.
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